Star Wars é uma série que, completando 40 anos em 2017, segue com força total e angariando novos fãs, ao mesmo tempo que arranca suspiros nostálgicos dos mais antigos.

O último episódio da franquia (Os Últimos Jedi – embora o próprio diretor tenha ressaltado a singularidade do subtítulo, que deveria ser O Último Jedi) não só é uma adição incrível à saga, enriquecendo novos e velhos personagens e avançando a história, como também tem tudo para ser considerado o melhor dentre os filmes, “ameaçando” o trono de O Império Contra-Ataca, preferido entre grande parte do público e críticos (inclusive por mim, pelo menos até agora).

Para chegar a esse patamar, claro, o filme fez por merecer. Diferente do Episódio VII – O Despertar da Força, que apesar de ter sido muito bem recebido e ajudado a alavancar a franquia nessa retomada no cinema, sofreu um pouco com as comparações com as similaridades com a trilogia original, nesse novo capítulo, embora seja fácil reconhecer os pontos que tornaram a franquia um sucesso, há muitas surpresas bem-vindas, reviravoltas, e um trabalho excelente de desenvolvimento, capaz de dar atenção a cada um dos personagens, que conseguem provar sua importância dentro da história sem soarem forçados.

Se o encontro entre Rey e Luke Skywalker era um dos momentos mais esperados, o diretor Rian Johnson, que também roteiriza o filme, não cai na armadilha de esquecer os demais protagonistas ou mesmo coadjuvantes da trama e não só a Princesa-general Leia tem seus momentos, como também há espaço para Finn, Poe Dameron, BB-8, Chewbacca e até para o surgimento de uma nova e carismática heroína, a jovem Rose que, para mim, tem uma das falas mais marcantes do longa (algo sobre “Essa guerra não é sobre destruir o que odiamos, mas salvar o que amamos”, simplesmente emocionante a cena).

Luke chega chegando como um mestre Jedi diferente e improvável




Encarnando Luke Skywalker mais uma vez depois de tanto tempo (lembrando que no filme anterior ele fazia uma única aparição), Mark Hamill tem a chance de provar mais uma vez que se não teve uma carreira tão extensa no cinema depois de Star Wars, não foi por falta de talento e transforma o personagem em um mestre que, embora carregue o status de lenda, não é diferente de quem busca nele esperança e vive carregado de conflitos, culpa, vergonha e arrependimentos. O senso de humor do personagem, usado em momentos pontuais, como quando explica o que é a Força para Rey ou quando confronta a Primeira Ordem são ótimos e, sem dúvida, entram para lista de (tantos) momentos marcantes da franquia.

Rey tem oportunidade de desenvolver mais sua personalidade

Rey, por sua vez, se começa a nova trilogia como uma nova “Luke Skywalker”, aqui tem a chance de desenvolver a própria personalidade, enfrentar os conflitos internos, inclusive com o lado escuro da Força e aprender mais sobre si mesma. O filme, aliás, marca a posição definitiva de protagonista e antagonista, já que Kylo Ren finalmente assume seu papel na história. Se como vilão ou herói, só assistindo para saber. E espere por reviravoltas. Mas fazendo um comparativo com Darth Vader, como o próprio Líder Supremo Snoke faz questão, se o vilão clássico ficou marcado pela frieza, Kylo vai no sentido oposto e parece que pode ser consumido pelo ódio a qualquer momento. Contra quem, o quê ou por quê é a grande questão e a revelação torna ainda mais humano um dos personagens mais importantes da franquia.

O conflito interno de Ben Solo – Kylo Ren é uma questão importante




Enfim, sem prolongar muito (até porque críticas detalhadas sobre o filme pipocarão por todos os lugares), Star Wars – Os Últimos Jedi não deixa a desejar em nenhum aspecto. E mesmo com o filme tendo uma primeira metade com um pequeno problema de ritmo e que passa a impressão de que vai engrenar apenas no fim, na segunda metade ele subverte as expectativas, o que é ótimo, já que empolga demais, com cenas que passam por batalhas espaciais, lutas de sabres de luz, sacrifícios, heroísmos e surpresas.

Star Wars é um filme empolgante, com personagens carismáticos e bem desenvolvidos em uma trama sólida se passando num universo rico e que justifica mais uma vez o status de uma das sagas mais importantes do cinema.

VIDA LONGA AOS JEDI.