Conheço o trabalho de Fábio Coala já há cerca de uma década, desde que descobri o seu site, o Mentirinhas, e que se tornou, em pouco tempo, visita obrigatória e frequente. Por conta disso, quando vi que O Monstro, seu personagem mais marcante dentre vários que disputam suas ótimas tirinhas, ganharia um novo livro, não houve dúvida em aderir ao apoio no Catarse.

Terceira publicação d’O Monstro, embora personagem já conhecido, nada havia me preparado para o novo livro, que traz um roteiro bem amarrado em uma história que se desenvolve de forma orgânica e muito bem estruturada, em bela arte sequencial.

Diferente do bom primeiro livro, Lembranças, com histórias paralelas e unidas pelo Monstro; e do apenas regular Filhos de Quíron, que me soou um pouco previsível e ameaçando cansaço criativo com o personagem; nessa terceira abordagem, A Casa no Fim da Rua, Coala mostra que isso está longe de acontecer e faz seu melhor trabalho ao colocar o Monstro como coadjuvante de personagens verossímeis e carismáticos.

Nessa nova história, o Coala atira para todo o lado e, incrivelmente, não erra o alvo em nenhum momento, seja ao tratar de bullying, solidão, empatia, autoestima, preconceito e do aprendizado que, invariavelmente, só é possível quando estamos dispostos a compartilhar a vida com outras pessoas, sejam elas amizades virtuais ou reais. O Monstro, claro, tem papel fundamental no desenvolvimento da história, de forma bastante orgânica e com aparições que conseguem ser sábias (como na excelente página sobre “virar o livro de ponta cabeça”) e sempre divertidas, como devem ser. O flerte com a fantasia, aliás, sempre dentro do contexto, é excelente para deixar a leitura ainda mais interessante.

No fim da viagem, fica a certeza de que aqueles personagens poderiam estar ali, na esquina ou na Casa no Fim da Rua, tão reais soam na história e, se há uma crítica negativa a esse novo trabalho do Coala é sobre a saudade que deixam quando acaba a última página. Eu acompanharia mais da vida dessas pessoas com enorme prazer.

P.S.: Para quem está familiarizado com o trabalho do Coala, ou mesmo costuma se aventurar pelas webcomics, há diversos estear eggs espalhados pelas páginas, logo a partir do primeiro quadro. O meu preferido é sobre as “famosas” marmitas do Coala, como a “coiso de frango” por exemplo.

P.S. 2: Na Lojinha do Coala você pode adquirir os livros entre outros produtos.