Quando a série Graphic MSP estreou, lá atrás, em 2012, com Astronauta – Magnetar, provavelmente ninguém poderia prever que o selo se tornaria uma das publicações mais interessantes e criativas, à medida que trazia histórias únicas, muitas vezes com contexto maduro, de personagens infantis de Maurício de Souza. E desde os primeiros números, fiquei fã, tendo as da Turma da Mônica, as do Bidu, do Papa-Capim e do Piteco como minhas preferidas, ao mesmo tempo que considero a do Penadinho, ainda que linda visualmente, a com roteiro mais fraco de todas.

Há não muito tempo, Li a terceira edição de Astronauta, o álbum Simetria, lançado não há muito tempo e o que Danilo Beirute faz, de forma que, acredito eu, não havia planejado no primeiro número, é criar uma narrativa que não só respeita as duas histórias anteriores (Magnetar e Singularidade), como também expande o universo do Astronauta (com o perdão do trocadilho) e ainda deixa um gancho para uma próxima edição, que aguardo ansiosamente.

Sem querer entregar muito da história, é notável como Beirute consegue trazer uma narrativa que apresenta ação e ficção científica, ao mesmo tempo em que trabalha o contexto familiar e nos faz pensar ao discutir questões como escolha, carreira, futuro, e etc. Tudo isso retratado com uma arte de cair o queixo, com páginas que são um verdadeiro exemplo de narrativa sequencial da melhor qualidade. Sem dúvida, apenas por esses três volumes, é possível sacramentar que Beirute (que tem trabalhado em séries da Marvel como Gwenpool e Motoqueiro Fantasma) é um artista brilhante, tanto escrevendo quanto ilustrando.

Infelizmente, embora a produção de HQs nacionais, principalmente independente, seja razoável, o mercado ainda é bastante amador e não possibilita que muitas das obras dos artistas brasileiros cheguem ao grande público, o que é uma pena. Muitos autores ainda conseguem se destacar na internet e investir em trabalhos independentes (como o Fábio Coala, do Mentirinhas; Will Leite do Will Tirando, entre outros), mas é uma pena que não se tenha um mercado mais profissional para que mais obras de artistas de tamanha qualidade possam mostrar seu trabalho a mais pessoas.

Em tempo: Astronauta – Simetria pode ser lida de forma independente, mas é recomendável a leitura dos dois volumes anteriores – Magnetar e Singularidade – para apreciar mais a história. E é praticamente impossível não gostar dessa belíssima trilogia com um personagem de Maurício de Souza. Que venham mais Graphic MSP.