Lembrando, destacando, avisando, alertando e dizendo: TEM SPOILERS DA TERCEIRA TEMPORADA!

The Flash encerrou sua temporada mais recente com uma constatação nada invejável, a de ter sido a pior série da DC da temporada 2016/17, ficando atrás de Arrow (que se redimiu nessa quinta temporada), Legends of Tomorrow (bastante divertida em sua segunda temporada), e até da irregular Gotham (que ainda não terminou) e Supergirl (que não vi, mas recebeu vários elogios, diferente da série do Corredor Escarlate).

Depois de uma primeira temporada muito boa e uma natural evolução na segunda, The Flash parece ter estagnado e repetido ideias (mais uma vez um vilão corredor e muitos dilemas inexplicáveis). No contexto geral, mesmo algumas ideias boas, que ocorreram em menor número do que as ruins, acabaram sendo mal executadas.

No início da temporada, Flashpoint poderia ter sido uma grande dose de ousadia, mas a decisão de desfazer a nova realidade depois de apenas um episódio foi um banho de água fria. Mesmo assim, a volta no tempo e as mudanças provocadas por Barry foram usadas para uma justificacativa do por quê ele não deveria fazer isso. Então, o que deveria ser a primeira grande lição da temporada, foi, em várias oportunidades, simplesmente ignorado, com viagens ao futuro, “vibrações” e todo tipo de ação que pudesse bagunçar com a realidade. Além disso, muitas das tentativas para evitar o trágico futuro de Iris pareciam ideias tolas e infantis. 

Precisamos falar sobre Savitar

Investir mais uma vez em um vilão velocista já não parecia uma boa ideia e a decisão de segurar a revelação de sua identidade, ao contrário de criar grande expectativa e surpresa, pode ter tido o efeito contrário. Se viéssemos a saber (com certeza, porque 90% da internet apostava acertadamente em quem era Savitar) alguns episódios antes quem era o vilão, haveria mais tempo para trabalhar sua personalidade, suas motivações, realmente fazer com que o telespectador comprasse a ideia do herói dominado pelo lado sombrio. Ao invés disso, a série preferiu repetir o que fez nas temporadas anteriores e depois teve de “correr” com a história (com perdão do trocadilho) para preencher lacunas importantes.

O Caminho do herói

Pulando direto para o episódio que importa, o que encerra a temporada, pode-se dizer que foi um grande exemplo de boa ideia que foi mal executada. Gostei bastante da ideia de Barry optar por salvar o seu “eu malvado”, usando compaixão e perdão. Essas devem ser a essência do super-herói, no final das contas. O maior problema, no entanto, é perceber como a execução do plano e o que Barry propõe acaba sendo extramamente cruel com Savitar, afinal, o que ele oferece ao vilão é nada mais do que uma existência vendo o amor da sua vida ao lado de outra pessoa, e aqui não importa que a pessoa seja “você”, tudo que ele poderia ter era descobrir novas memórias sobre a vida feliz do Barry original. Pois bem, ainda que mal executada e com algumas falhas inexplicáveis no desenvolvimento (como HR contar que a Iris estava escondida na Terra 2 por achar que era o Barry, o que não faz sentido, já que o Flash não deveria saber onde ela estava), o final foi o auge da inconstância e al desenovimento de The Flash nessa temporada. A Força da Aceleração precisa de um “prisioneiro”, já que Savitar, que deveria ocupar o espaço, está morto. E para provar o quão heróico é, Barry se oferece de bom grado para o sacrifício, se despedindo de todos como se fosse sair para buscar café. Mais uma vez, o problema aqui não é Barry se sacrificar pelo bem maior, mas sim a forma como foi conduzido, com preguiça do roteiro e total falta de verossimilhança. A história poderia ter sido conduzida de forma muito mais satisfatória, com Barry tendo de se sacrificar verdadeiramente, de forma instintiva, sem tempo para pensar ou dar adeus a todos. E, principalmente, sem clima de “é o meu destino, #partiu”. 

Enfim, assim como aconteceu com Arrow, que depois de duas ótimas temporadas, teve uma terceira pífia e uma quarta ainda mais decadente, The Flash teve um ano sofrível. A série ainda tem crédito e merece chances, mas não pode voltar a repetir os mesmos erros no quarto ano. 

Em tempo, vou sentir falta do HR. Estava torcendo por ele e seu novo amor, alguns dos não muito pontos bons dessa temporada. R.I.P. HR. Tomaremos muito café em sua homenagem. 

R.I.P. HR