Há espaço para os desenhos brasileiros

 

Ennio Torresan, escritor, criador e diretor da DreamWorks, revela detalhes da criação de personagens famosos como Bob Esponja e o leão Alex, de Madagascar

Ennio Torresan

A plateia do cinema estava lotada. Mas, durante 1h30, o telão não exibiu um único filme. Pelo menos, não por completo.

Em vez disso, foram projetados os famosos personagens de Ennio Torresan, escritor, criador e diretor da DreamWorks. Ele, que um dia deu vida ao leão Alex do filme Madagascar, ao urso Po do Kung Fu Panda e ao Bob Esponja, voltou a desenhá-los naquela sessão.

Em poucos minutos, ele refez os traços dos personagens com uma caneta especial em uma mesa digitalizadora – enquanto isso, a imagem era prontamente projetada na tela do cinema.

Torresan não é famoso como os seus filmes. Poucas pessoas sabem, por exemplo, que ele é brasileiro e formado em belas artes pela Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro.

“Sempre achei que seria pintor”, diz, logo após a apresentação em São Paulo. Mas a habilidade manual fez com que ele não ficasse restrito à tela presa ao cavalete. Além de quadros e desenhos animados para televisão e cinema, ele escreve histórias em quadrinhos e é escultor.

Cada área em que atua possui características específicas. No caso das histórias para televisão, mais especificamente Bob Esponja, os desenhos eram feitos por ele e sua equipe em apenas uma semana.

“Era como se fossem rabiscos rápidos”, conta. Os 11 minutos de cada episódio representavam 300 páginas ou 900 desenhos. “Depois disso, demorávamos três semanas só para ‘limpá-los’ e deixá-los com o formato ideal.” Ele lembra que o roteiro vinha pronto e as vozes dos atores que interpretavam os personagens já estavam gravadas.

Já na DreamWorks, cada partezinha do filme é feita por uma área específica e todas se entrelaçam. Tanto é que é comum o roteiro ser modificado por causa do desenho. “A gente fala ‘olha, fica melhor se fizermos assim’. O roteirista concorda e muda, mas só ele que ganha o Oscar”, brinca.

Para se ter uma ideia da dimensão do que é fazer um longa de desenho animado, o departamento de personagens cria, em média, 5 mil desenhos de um único personagem. “Primeiro, eles fazem uma forma abstrata de um vilão ou mocinha e depois decidem quem são.”

Ele conta ainda que há um departamento só para cuidar das imagens em 3D e outro para fazer modelos reais dos personagens.

“Às vezes, acontece de os produtores acharem que faltam personagens nos filmes, aí a gente tem de inventar outros.” Uma criação de Torresan que foi barrada pelo estúdio foi o vilão “Ironing Man” – que possui um ferro de passar roupa no lugar da cabeça e tem nas mãos um cabide -, claramente uma brincadeira com o Homem de Ferro, da Marvel.

Durante a apresentação para a plateia de estudantes e designers no cinema em São Paulo, Torresan decide mostrar como ele apresenta o “story board”, no estúdio. Ele desenha no Photoshop os personagens, coloca cor e fundo e depois o anima ao redesenhar o personagem com uma posição levemente diferente da anterior.

Quando muda de uma camada (layer) para outra, parece que a imagem se moveu, como naqueles livrinhos que ao passar as folhas rapidamente parece que as imagens se mexeram. “A tecnologia ajuda bastante a gente a reduzir o tempo do processo.” Para se ter uma ideia, um segundo de filme possui 24 quadros (frames).

“Mas a primeira coisa que sempre desenho são os olhos. São eles que dão o tom do que o desenho está sentindo”, afirma.

Em comum, seja longa ou curta metragem, há sempre uma sequência que caracteriza o filme como ele é. “A gente faz como um rabisco, mas se mantém até o produto final.”

Caracol

O próximo longa assinado por Torresan se chamará Turbo e será lançado em 2013. A história é sobre um caracol de jardim que sonha correr na corrida de Indianápolis, nos Estados Unidos. Um dia, ele sofre um acidente e percebe que isso pode acontecer de verdade.

Outro projeto que está no forno é um filme que Torresan vai fazer em parceria com o Otto Desenhos Animados, que se chamará “Fuga em Ré Menor para Kraunus e Pletskaya”. Também deve sair em 2013.

 

Fonte: Brasil Econômico

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