Dicas Para Escrever Bem #11

Sou o tipo de pessoa que não sente nenhuma atração pelas novelas, não importa de que canal, mas, admito que já acompanhei algumas e, ainda hoje, vejo alguns trechos com a minha esposa, embora prefira outras atividades na maioria das vezes. Minha reclamação mais comum é o fato das novelas serem previsíveis e com um estilo totalmente travado, graças também às limitações que os estúdios oferecem. De qualquer forma, mesmo uma narrativa novelesca pode oferecer bons exemplos para melhorar a escrita e sobre cuidados a tomar na hora de produzir o próprio texto.

Então, no Dicas de hoje vou falar sobre os personagens secundários e nada melhor do que uma história com dezenas de personagens para exemplificar.

Alguns autores cometem o erro de dar total atenção aos personagens principais e se esquecerem dos personagens que dão apoio à trama. Num filme, isso pode até funcionar, considerando que as cerca de duas horas são insuficientes para ficar detalhando personagens que não são os completamente importantes para o desenvolvimento da história. Mas numa trama mais detalhada, como num livro por exemplo, isso é inadmissível.

O autor deve sempre ter em mente que os personagens secundários, naquele universo, são pessoas e devem ter objetivos, desejos, características, não podem ser reduzidos a uma ou outra característica apenas. E, mais do que isso, não devem apenas estar lá para fazer parte da vida do personagem principal, é necessário que tenha sua própria história. Claro que nem sempre dá para ficar entrando em detalhes da vida dos personagens secundários, mas eles também não podem ser apenas figurantes de luxo. Devem ser o mais próximo que uma pessoa real seria.

Lembro de uma novela que o SBT exibiu há alguns anos (mais de 10, eu acho) e que se chamava Pérola Negra. Vi alguns trechos com a minha mãe e a trama era terrivelmente falha ao retratar os personagens secundários, focando nos dois principais (interpretados por Dalton Vigh e Patrícia de Sabrit), o que tornava o desenvolvimento da história fraco, desinteressante e pouco inspirado.

Em contrapartida, Lost, uma série recheada de personagens importantes, conseguiu manter-se interessante (pelo menos para a maioria) graças ao foco dado a personagens que surgiram como coadjuvantes e foram ganhando destaque conforme sua própria história pessoal tornava-se atraente, como foi o caso de Desmond, por exemplo.

Então, é isso. Lembre-se que não importa a história que se está contando, todo personagem que aparecer devem ser crível, e não apenas uma figura unidimensional para preencher uma lacuna. Afinal, todo mundo tem a sua história, mesmo que você não esteja disposto a contá-la.

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