Uma coisa que muita gente costuma achar irrelevante, dar pouca atenção ou mesmo ignorar, mas que é assunto de vital importância para o escritor, é a pontuação.

Aquele que quer ser um bom escritor tem de ter um cuidado enorme com a  pontuação que usa em seus textos, todas elas. Muitas vezes ouvimos falar da vírgula, esse risquinho minúsculo e inconveniente que insiste em confundir a mente dos menos atentos. Muitas vezes, nossa atenção é chamada pra ela em forma de frases que brincam com o sentido, como naquela piada: Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro à sua procura. Dizem que o homem coloca a vírgula logo depois do “tem”, enquanto que as mulheres colocam a vírgula logo após “mulher”.

Brincadeiras à parte, usar a vírgula como exemplo é simples, mas ela não é a pontuação mais importante que se pode encontrar e utilizar num texto, é apenas uma entre muitas. Vou dar outro exemplo.

Quando trabalhava no Canal 25 da Net, havia uma turma da faculdade com uma camisa que dizia o seguinte: “Loucos? Não. Criativos…”. A frase não está incorreta e aposto que qualquer um que ler, vai entender o significado, devido ao contexto (na camisa da classe nunca seria como um demérito). Mas o real sentido que a frase ganhou foi de dúvida, de incerteza, indecisão ou de estar incompleta. Experimente ler em voz alta (cuidado, se estiver no trabalho podem achar que você está pirando). Enfim, leia interpretando a pontuação e vai ver que eles estão negando que são loucos, mas não parecem estar afirmando que são criativos, mas reticentes se são ou não. Aliás, essa é a questão, nesse caso, as reticências, que muitas pessoas não sabem usar e saem empregando sem critério (se os alunos tivessem perguntado pra mestra Dagmar, professora de gramática lá da faculdade, e que deve ter decorado todos os livros do assunto, eles teriam percebido).

As reticências devem ser usadas para demonstrar dúvida, titubeio, ou no caso de uma frase estar incompleta. Nunca uma afirmação. Sabe quando te convidam pro churrasco de família e você não tem desculpa (ficar em casa jogando videogame não conta) pra não ir e responde “Vou…”. É diferente de quando você diz “Vou!”.

Por isso, quando for escrever, procure ler e reler o que escreveu algumas vezes, principalmente no caso de falas de personagens, procure dizê-las em voz alta e interpretá-las procurando o melhor jeito de transcrever o que exatamente quer dizer, visto que escrever uma conversa coloquial tem suas dificuldades. Cuidado com os pontos, as exclamações, as interrogações, as vírgulas e as reticências. Afinal, você quer ser “criativo…” ou “criativo!”?