Pacientemente, esperava sua vez.

Ninguém se importava com seus problemas. Cada um tinha seus próprios para resolver.

Jovens, mulheres, crianças, grávidas, negros, brancos… todos pacientes.

Iam e vinham, cada um com sua dor, cada qual com sua queixa, alguns poucos já impacientes.

Mas o velho esperava, pacientemente, o piscar da luz vermelha anunciando a sua vez. Seu olhar deixava transparecer a dor, não pela doença que o consumia por dentro, mas pela falta de respeito a que tivera de se acostumar há muito tempo.

Era quase palpável o pensamento refletido nas marcas do tempo que carregava no rosto: “Ninguém mais respeita os meus cabelos prateados”.